Aderência à programação é o percentual do trabalho programado para a semana que foi executado conforme a programação. Calcula-se dividindo as OS programadas e concluídas pelo total de OS programadas (ou as horas correspondentes). É o indicador que mostra, com uma semana de atraso no máximo, se a manutenção trabalha pelo plano ou pela urgência do dia.
MTBF e custo levam meses para reagir. A aderência reage em dias. Por isso ela é tão útil para quem está implantando ou recuperando o planejamento: mostra rápido se a rotina de programar, liberar e executar está funcionando, e expõe as causas quando não está.
Como calcular a aderência à programação?
Aderência (por OS) = OS programadas concluídas conforme programação ÷ OS programadas
Aderência (por horas) = horas estimadas das OS programadas concluídas ÷ horas programadas
As duas são válidas. A versão por OS é mais simples; a versão por horas evita que a equipe faça as OS pequenas e deixe as grandes para depois. Se puder, acompanhe as duas.
Exemplo de uma semana
Uma planta com 13 técnicos tem capacidade de 520 horas por semana. O PCM programou 64 OS, somando 480 horas estimadas (92% da capacidade). No fechamento da semana:
- 49 OS foram concluídas como programado, somando 372 horas estimadas;
- 6 OS foram iniciadas mas não concluídas (18 horas trabalhadas);
- 9 OS nem começaram;
- a equipe gastou 130 horas em emergências que não estavam na programação.
Aderência por OS = 49 ÷ 64 = 76,6%.
Aderência por horas = 372 ÷ 480 = 77,5%.
Repare que as 130 horas de emergência não entram no numerador. A equipe trabalhou as 520 horas (372 + 18 + 130), ninguém ficou parado, e mesmo assim a aderência foi de 77%. Esse é o ponto do indicador: ele não mede se a equipe trabalhou, mede se a equipe trabalhou no que foi combinado.
Regras de cálculo que fazem diferença
Sem regras escritas, a aderência vira um número negociado. As mais importantes:
- Programação congelada. A lista que vale é a fechada na reunião de programação (por exemplo, quinta à tarde para a semana seguinte). OS retiradas depois disso contam como não executadas.
- OS fora da programação não somam. Nem quando são “importantes”. Elas aparecem em outro indicador, o de trabalho não programado (ou break-in).
- Parcial é não concluída. OS iniciada e não terminada não conta, na versão por OS. Na versão por horas, algumas empresas aceitam as horas proporcionais; decida e mantenha.
- Dia diferente na mesma semana conta. Na aderência semanal, sim. Quem quiser enxergar sequenciamento pode medir também a aderência diária.
- OS adiada pela produção é não executada. O motivo vai para a análise de causas, mas não melhora o número. Se a produção não libera, é um problema do processo de programação, que inclui a produção.
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Por que a aderência fica baixa: as causas
O número sozinho não ajuda. O valor está em registrar por que cada OS programada não foi concluída. No exemplo, as 15 OS não concluídas (6 parciais e 9 não iniciadas) tiveram estas causas:
| Causa | OS | Quem resolve |
|---|---|---|
| Equipamento não liberado pela produção | 5 | Programação conjunta com a produção |
| Falta de peça ou material | 4 | Planejamento e almoxarifado |
| Técnico deslocado para emergência | 4 | Reserva de capacidade e redução de falhas |
| Estimativa de tempo errada | 2 | Planejamento da OS |
| Total | 15 |
Cada causa aponta para uma ação diferente:
- Equipamento não liberado quase sempre significa que a programação foi feita só pela manutenção. A janela de parada precisa ser combinada com a produção antes de congelar a semana. Esse é um dos assuntos centrais da relação entre manutenção e produção.
- Falta de peça indica OS programada sem estar pronta. Regra simples: só entra na programação OS com material reservado ou disponível. Isso é trabalho de planejamento, que vem antes da programação. A diferença entre os dois está em planejamento x programação.
- Técnico deslocado para emergência é a causa mais comum e a que mais revela sobre a capacidade.
- Estimativa errada se resolve com histórico: OS repetitivas devem ter a duração revisada pela média real das últimas execuções.
O erro de programar 100% da capacidade
Volte ao exemplo. O PCM programou 92% da capacidade, deixando 40 horas livres. A semana consumiu 130 horas em emergência. Faltaram 90 horas, e foram exatamente as OS programadas que pagaram a conta.
Se o histórico mostra que as emergências consomem em média 25% da capacidade, programar 92% garante aderência ruim toda semana. Faz mais sentido programar cerca de 75% (390 horas) e reservar o resto para o que vai quebrar. A aderência sobe, a equipe passa a confiar na programação e o PCM ganha credibilidade para, aos poucos, aumentar a carga programada à medida que as falhas caem.
Isso não é se conformar com a corretiva. É reconhecer o tamanho dela hoje e programar em cima da realidade. O indicador de carga programada (horas programadas ÷ capacidade) deve ser acompanhado junto com a aderência; um sem o outro permite maquiar o resultado, seja programando pouco para ter aderência alta, seja programando demais para mostrar ambição.
Qual meta de aderência usar?
Plantas com planejamento maduro costumam trabalhar com aderência acima de 90%. Quem começa a medir normalmente encontra números bem mais baixos, e não há vergonha nisso. Uma sequência que funciona:
- Meça oito semanas sem meta, registrando as causas de não execução.
- Ataque as duas maiores causas.
- Defina uma meta progressiva a partir da média dessas oito semanas, revisada por trimestre.
Uma meta imposta antes de entender as causas leva a dois comportamentos ruins: programar só o que é garantido (a aderência sobe e o backlog cresce) ou reclassificar OS emergenciais como programadas.
Como a aderência entra na rotina
- Na reunião de programação semanal: aderência da semana anterior, causas e ações. Cinco minutos bastam. O ritual completo está em programação semanal da manutenção.
- Na reunião diária: o que da programação de hoje está em risco e por quê. Antecipar um problema de liberação na segunda evita uma OS não executada na sexta. Veja o roteiro da reunião diária de manutenção.
- No relatório mensal: tendência das últimas 12 semanas e as três maiores causas acumuladas.
Para que tudo isso funcione, a programação precisa estar num lugar que todos vejam e o fechamento de cada OS precisa ser registrado no dia, não no fim da semana. Num CMMS como o Sismetro, as OS programadas aparecem no celular do técnico e o encerramento fica registrado na hora, o que torna o cálculo da aderência automático e evita a reconstrução de memória na sexta-feira.
Próximo passo: na próxima programação semanal, congele a lista, anote a carga programada sobre a capacidade e, no fechamento, registre uma causa para cada OS não concluída. Em quatro semanas você terá dados para decidir se o seu problema é liberação, material ou capacidade.
Perguntas frequentes
Como calcular a aderência à programação?
Divida o número de OS programadas que foram executadas conforme a programação pelo número total de OS programadas na semana. A versão por horas usa as horas estimadas das OS concluídas sobre as horas programadas. OS que entraram fora da programação não somam no numerador.
Qual a meta de aderência à programação?
Plantas com planejamento maduro costumam trabalhar acima de 90%. Quem está começando geralmente encontra números bem menores nas primeiras semanas de medição. O mais sensato é medir oito semanas sem meta, entender as causas e então definir um alvo progressivo.
Qual a diferença entre aderência à programação e cumprimento do plano preventivo?
A aderência olha toda a programação da semana, incluindo corretivas programadas e melhorias. O cumprimento do plano preventivo olha só as preventivas previstas no plano, com tolerância de data. Uma planta pode cumprir o plano preventivo e ter aderência baixa, e vice-versa.
OS executada em outro dia da mesma semana conta como aderente?
Na aderência semanal, sim, desde que tenha sido concluída dentro da semana programada. Algumas empresas medem também a aderência diária, que é mais rígida e mostra problemas de sequenciamento. O importante é que o critério esteja escrito e seja o mesmo todas as semanas.