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O que é horímetro e como usar na manutenção preventiva por horas

Resposta rápida: horímetro é o instrumento que registra quantas horas um equipamento efetivamente funcionou. Escreve-se com acento: horímetro. Na manutenção, ele é a base da preventiva por uso: a próxima intervenção vence na leitura da última execução mais o intervalo em horas (ex.: 4.380 h + 250 h = 4.630 h). Com a média de horas por dia, você prevê a data.

Resumo

  • Horímetro mede horas de funcionamento; hodômetro mede quilômetros; contador de ciclos mede operações.
  • Próximo vencimento = leitura na última execução + intervalo em horas.
  • Data prevista = data da leitura + (horas restantes ÷ média de horas por dia).
  • Leia com mais frequência quanto mais o equipamento trabalha: na safra, todo dia.
  • Se o horímetro for trocado ou zerado, registre a leitura final do antigo, a inicial do novo e o offset.
  • Para equipamentos que param por longos períodos, use “horas ou calendário, o que vencer primeiro”.

O que é horímetro?

Horímetro é o contador que acumula as horas em que um equipamento esteve funcionando. Ele não marca o tempo do relógio, e sim o tempo de trabalho da máquina.

Por isso ele é a base da manutenção por uso. O desgaste de um motor, de um rolamento ou do óleo acompanha as horas de trabalho, não os dias do mês. A definição curta está no verbete horímetro do glossário; aqui o foco é como usar a leitura no dia a dia do PCM.

Como se escreve: horímetro ou horimetro?

O correto é horímetro, com acento no “i”. A palavra é proparoxítona (ho-rí-me-tro), e toda proparoxítona leva acento em português, como hodômetro, termômetro e manômetro.

“Horimetro”, sem acento, aparece muito em buscas, mas é grafia errada. Em planos, OS e relatórios, use a forma acentuada.

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Qual a diferença entre horímetro, hodômetro e contador de ciclos?

Os três medem uso, mas cada um mede uma grandeza diferente. Escolha o contador que melhor acompanha o desgaste do item que você quer manter.

Contador O que mede Unidade Onde faz sentido
Horímetro Tempo de funcionamento horas (h) Trator, colheitadeira, gerador, compressor, bomba, empilhadeira
Hodômetro Distância percorrida quilômetros (km) Caminhões e veículos que rodam em estrada
Contador de ciclos Número de operações ciclos, golpes, manobras Prensas, injetoras, autoclaves, disjuntores, válvulas de acionamento frequente

Um caminhão canavieiro pode usar os dois: hodômetro para a rodagem e horímetro para o motor, que também trabalha parado. Cada tarefa do plano usa o contador do seu desgaste.

Quais são os tipos de horímetro e onde eles ficam?

Existem três formas comuns: o horímetro mecânico ou eletromecânico (roletes numerados), o eletrônico com display e o horímetro “virtual”, que é um valor calculado pelo CLP, pelo controlador do equipamento ou pela telemetria do fabricante.

Antes de usar a leitura, confirme o que ela conta. Alguns horímetros contam com a chave ligada; outros, só com o motor girando ou o contator energizado.

Equipamento Onde costuma estar a leitura Ponto de atenção
Motor diesel (trator, caminhão fora de estrada) Painel de instrumentos Confirmar se conta horas de motor ou de chave ligada
Grupo gerador Controlador do grupo, no quadro Gerador de emergência roda pouco; precisa de limite por calendário
Compressor de ar Controlador eletrônico Muitos mostram horas totais e horas em carga; defina qual o plano usa
Colheitadeira Painel ou monitor da cabine Alguns modelos mostram horas de outros sistemas além do motor
Empilhadeira Painel do operador Nas elétricas, verificar se conta horas de chave, de tração ou de hidráulica
Bomba com motor elétrico Horímetro no painel ou CCM, ou contador no CLP/supervisório Bomba reserva quase não soma horas; alternar operação e checar por calendário

No compressor, a escolha entre horas totais e horas em carga muda o intervalo real das trocas de óleo e filtros. O guia de manutenção de compressores de ar detalha esse ponto.

Como ler e registrar o horímetro?

Anote as horas inteiras com a data da leitura e a TAG ou o número de frota do equipamento. Uma leitura sem data não serve para prever nada.

  • Registre a leitura no início ou no fim do turno, sempre no mesmo momento.
  • Peça foto do painel quando a leitura parecer fora do padrão.
  • Registre a leitura também em toda OS executada no equipamento, preventiva ou corretiva.

Para começar sem sistema, a planilha de leituras de horímetro já traz as colunas de data, leitura, horas no período e média diária.

Como calcular o vencimento da preventiva por horas?

O vencimento em horas é a leitura registrada na última execução somada ao intervalo da tarefa. A data prevista sai da média de horas por dia do próprio equipamento.

O que calcular Fórmula
Próximo vencimento (h) Leitura na última execução + intervalo (h)
Horas restantes Próximo vencimento − leitura atual
Média de horas por dia (Leitura atual − leitura de N dias atrás) ÷ N
Dias até vencer Horas restantes ÷ média de horas por dia
Data prevista Data da leitura atual + dias até vencer

Use a leitura real da execução, não a planejada. Se a troca prevista para 4.630 h só foi feita em 4.650 h, a próxima vence em 4.900 h, e não em 4.880 h. Assim o intervalo de 250 h é respeitado de verdade.

Para a média, use uma janela do regime atual, como os últimos 5 a 7 dias de safra. Uma média que mistura entressafra e safra subestima o uso e atrasa a previsão.

Exemplo resolvido: troca de óleo de um trator de transbordo na safra

Os números abaixo são de exemplo. Um trator de transbordo de uma usina teve a troca de óleo do motor feita em 31/07, com o horímetro em 4.380 h. O intervalo da tarefa é de 250 h.

Data Leitura (h) Horas no dia
31/07 (troca de óleo) 4.380 —
01/08 4.392 12
02/08 4.406 14
03/08 4.419 13
04/08 4.434 15
05/08 4.448 14

Passo a passo:

  1. Próximo vencimento: 4.380 + 250 = 4.630 h.
  2. Horas restantes em 05/08: 4.630 − 4.448 = 182 h.
  3. Média dos últimos 4 dias: (4.448 − 4.392) ÷ 4 = 56 ÷ 4 = 14 h/dia.
  4. Dias até vencer: 182 ÷ 14 = 13 dias.
  5. Data prevista: 05/08 + 13 dias = 18/08.

Do dia da troca até o vencimento são cerca de 18 dias de trabalho. Pelo calendário, uma troca “mensal” só aconteceria no fim de agosto, com o motor já perto de 400 h no mesmo óleo. É por isso que, na manutenção na safra da usina, a frota agrícola é controlada por horas.

Se chover dois dias e o trator parar, a data prevista anda para frente; o vencimento continua em 4.630 h.

Com que frequência ler o horímetro?

Leia com uma frequência que impeça o equipamento de passar do vencimento entre duas leituras. Uma regra prática: o uso entre leituras não deve passar de cerca de 10% do menor intervalo do plano daquele equipamento.

Regime de uso Exemplo Leitura sugerida
Intenso (12 h/dia ou mais) Trator e colheitadeira na safra, compressor em 3 turnos Diária
Moderado (4 a 12 h/dia) Empilhadeira em 1 ou 2 turnos, bomba de processo 2 a 3 vezes por semana, ou semanal
Baixo ou eventual Gerador de emergência, bomba reserva, máquina parada na entressafra Semanal ou mensal, junto com a inspeção

No exemplo do trator, 10% de 250 h são 25 h, menos de dois dias de safra. Por isso a leitura diária. A escolha dos intervalos de cada tarefa está no guia de frequência de manutenção preventiva.

O que fazer quando o horímetro quebra, é trocado ou é zerado?

Registre a leitura final do horímetro antigo e a inicial do novo, e passe a somar um offset. As horas acumuladas do equipamento nunca podem “voltar”, senão todo o plano por horas fica errado.

Horímetro trocado ou zerado

Exemplo com números ilustrativos: o horímetro de um gerador marcava 8.742 h quando foi substituído. O novo começou em 0 h.

  • Offset = leitura final do antigo − leitura inicial do novo = 8.742 − 0 = 8.742 h.
  • Horas acumuladas = leitura do novo + offset. Se o novo marca 310 h, o equipamento tem 9.052 h.

Os vencimentos seguem sobre as horas acumuladas. Registre a troca em uma OS, com data, leituras e motivo. Vale também quando o CLP ou o módulo eletrônico é trocado e o contador zera.

Horímetro parado ou com defeito

Se o equipamento trabalhou e a leitura não mudou, o horímetro está parado. Abra uma OS corretiva para ele, como para qualquer outro componente.

Até o reparo, estime as horas pelo apontamento de turno e marque os registros como estimados. Na troca, o offset parte da última leitura confiável mais as horas estimadas.

Preventiva por horas, por calendário ou “o que vencer primeiro”?

Use horas quando o desgaste depende do uso, calendário quando depende do tempo, e “o que vencer primeiro” quando os dois importam. A maioria dos manuais de motores e compressores traz os intervalos nesse formato duplo.

Critério Quando usar Exemplo
Por horas Uso variável e desgaste ligado ao funcionamento Troca de óleo e filtros da frota agrícola na safra
Por calendário Degradação pelo tempo, inspeções legais ou de segurança Inspeção de extintores, testes periódicos, aferições
O que vencer primeiro Equipamentos com períodos longos parados ou uso muito irregular Gerador de emergência: 250 h ou 12 meses

O caso típico é a entressafra. O trator quase não soma horas, mas o óleo envelhece, absorve umidade e perde aditivos. Sem um limite por calendário, a troca nunca vence. O guia de manutenção na entressafra trata dessa virada de regime.

Leve os intervalos por horas para o plano de lubrificação e use a análise de óleo lubrificante para confirmar se eles servem ao seu regime real.

Erros comuns no uso do horímetro

  • Leitura esquecida: uma semana sem leitura na safra são cerca de 100 h sem controle. O equipamento passa do vencimento sem ninguém ver.
  • Erro de digitação: 4.448 digitado como 4.848 antecipa ou “vence” a preventiva sem motivo. Desconfie de qualquer salto maior que 24 h por dia, que é fisicamente impossível.
  • Leitura menor que a anterior: ou foi digitação, ou o horímetro foi trocado sem registro do offset. Investigue antes de aceitar.
  • Horímetro parado: o equipamento trabalha, a leitura não muda e a preventiva nunca vence. Compare com o apontamento de turno.
  • Usar calendário na safra: trocar óleo “todo mês” com 14 h/dia de trabalho estoura o intervalo em horas, como mostrou o exemplo.
  • Reprogramar pela data planejada: calcular o próximo vencimento sobre a leitura prevista, e não sobre a leitura real da execução.

Como integrar o horímetro à OS e ao plano de manutenção?

Cada tarefa do plano por uso precisa de três dados: o contador (horas), o intervalo e a leitura da última execução. A OS fecha o ciclo ao registrar a leitura no momento da execução.

  1. Cadastre a tarefa com o intervalo em horas e, se couber, o limite por calendário.
  2. Registre as leituras na frequência do regime do equipamento.
  3. Gere a OS com uma margem, como um ou dois dias de uso, para separar peças e óleo.
  4. Ao fechar a OS, registre a leitura real e recalcule o próximo vencimento a partir dela.

Se ainda não há um plano estruturado, comece pelo guia de como montar um plano de manutenção preventiva e defina quais tarefas são por horas.

Como controlar isso no dia a dia

No Sismetro, as preventivas ficam no plano de cada equipamento e as OS chegam ao técnico pelo app no celular, com o histórico completo de cada execução. Assim a leitura registrada na OS fica guardada junto com o serviço feito, e o PCM consulta tudo no mesmo lugar. Dá para testar grátis por 15 dias.

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Perguntas frequentes

O que é horímetro?

Horímetro é o contador que registra quantas horas um equipamento efetivamente funcionou. Ele é a base da manutenção preventiva por uso, em que as intervenções vencem por horas de trabalho, e não por dias do calendário.

Como se escreve: horímetro ou horimetro?

O correto é horímetro, com acento no “i”. A palavra é proparoxítona (ho-rí-me-tro), como hodômetro e termômetro, e por isso é acentuada.

O que é um horímetro em trator, gerador ou compressor?

É o contador de horas de funcionamento mostrado no painel ou no controlador do equipamento. Ele indica quando vencem trocas de óleo, filtros e revisões definidas em horas pelo fabricante.

Qual a diferença entre horímetro e hodômetro?

O horímetro mede tempo de funcionamento, em horas. O hodômetro mede distância percorrida, em quilômetros. Máquinas que trabalham paradas ou em baixa velocidade, como tratores e geradores, são controladas por horímetro.

Como calcular a próxima preventiva pelo horímetro?

Some o intervalo da tarefa à leitura registrada na última execução. Por exemplo, troca feita em 4.380 h com intervalo de 250 h vence em 4.630 h; dividindo as horas restantes pela média de horas por dia, você obtém a data prevista.

O que fazer quando o horímetro é trocado ou zerado?

Registre a leitura final do horímetro antigo e a inicial do novo. A diferença é o offset, que deve ser somado a todas as leituras seguintes para manter as horas acumuladas corretas.

De quanto em quanto tempo devo ler o horímetro?

Depende do regime de uso. Em uso intenso, como na safra, leia todo dia; em uso moderado, de duas vezes por semana a uma vez por semana; em equipamentos de uso eventual, junto com a inspeção semanal ou mensal.

Referências

  • ABNT NBR 5462 — Confiabilidade e mantenabilidade (terminologia).
  • ISO 14224 — Petroleum, petrochemical and natural gas industries: Collection and exchange of reliability and maintenance data for equipment.
  • Manuais de operação e manutenção dos fabricantes de cada equipamento (intervalos em horas e em calendário).

Atualizado em 25 de outubro de 2026.

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